PANORAMA
por Bo.Bô em March 24th, 2009FINALMENTE, NA MODA
* Sonia Racy
Por muitos anos, desde a adolescência e até bem pouco tempo atrás, fui
confinada pelos “mui” amigos fashionistas à categoria “fora de moda”. Classificação outsider total. Afinal, nunca senti algo como “nossa, sem este hit da saison não sei viver” ou então, consegui seguir a ditadura do tamanho exato da saia do meio do ano. Não que não acompanhasse o que estava acontecendo na moda, até porque protagonizei curta carreira de modelo. Profissão da qual simplesmente…desisti. Sem pena de mim, na linha “coitadinha, ela não deu para a coisa”. Se joguei a toalha não foi porque não dei certo na profissão: cheguei até a ser capa da revista Vogue, clicada pelo meu querido amigo fotógrafo David Drew Zingg, responsável pelo meu kick-off nesta aventura com pé, meia, vestido de seda e cabeça. Aventura essa que acabou pouco menos de um ano depois, com uma recusa relutante à um tentador convite para trabalhar com a Ford Models em Nova York. Sonho de qualquer modelo da época, diga-se de passagem. É que durante a experiência-teste nova-iorquina, de um mês, me confrontei com meus botões fora de moda: aquele não era exatamente o mundo onde eu me sentia à vontade. Eu achava tudo muito lindo, glamoroso, importante. Mas diferente do que muita gente pensa, a vida de modelo é uma dureza. Conhece cabide que tenha vontade própria? Mas não foi só por ser voluntariosa que dei meiavolta. Descobri, lá com meus próprios e verdadeiros botões da mente, que sofro de uma síndrome incurável: a da mais alta curiosidade por tudo e todos. Assim, foco renovado, mergulhei neste vasto e inesgotável universo do jornalismo, cheio de perguntas e de pouquíssimas respostas. Frustrante? Nada disso. Na minha profissão, o principal é perguntar. E isto é comigo mesma. Talvez seja a coisa que mais gosto de fazer: perguntar. E melhor. No jornalismo sou paga tanto. Paga para aprender, saber e transformar este aprendizado, de alguma maneira, em informação a ser transferida. Despime então da imagem e dos flashs, e mergulhei na escrita. E hoje, voltando à aquela moça-fora-de-moda, estou surpresa: percebo que finalmente estou na moda. Pelo que vejo, observo e ouço dos loucos por moda, de gente como minha amiga Gloria Kalil, que a moda agora é justamente não seguir moda alguma. Moda é sermos nós mesmos, vestir o que nos cai bem, optar pela a cor que mais gostamos independente do que o estilista vá sugerir. O que vale é seu gosto. Prestem atenção: eu disse gosto. Essa história de bom ou mau gosto é relativa. Se eu comparar meu gosto com o de outros, tenho certeza que estarei em grupo muito pequeno. Então, por que tenho eu o monopólio do bom gosto? Que me desculpem os críticos, mas bom gosto é o que você… gosta. Não importa se os outros são maioria ou minoria, segure firme: a moda é sentir-se bem dentro da própria pele e de uma segunda pele, variável, que você vai comprar na loja. Acabou a obrigação de se ter uma bolsa Hermés para ser alguém. De se espremer em um sapato Manolo Blahnik sem conseguir equilíbrio no salto. Ou ainda, de ser obrigada a possuir uma mala Louis Vuitton para poder viajar “bem”. Nada contra essas grifes, mas elas devem ser adquiridas somente se houver uma identificação entre você e elas. Confusa? Faça um teste: ignore a marca e se apaixone pelo produto. Deu verde? Cabe no seu bolso? Compre. E mais. Calça curta é moda? Moças de pernas curtas, digam não se não se sentirem bem no modelo. Camiseta apertada é hit-universal? Gordas, digam não a não ser que gostem de expor seus quilos à mais. Odeia verde, a cor do inverno? Ignore, opte pela nuance que você mais gosta. Depois da liberdade de votar, de trabalhar, da livre opção sexual, a mulher moderna escolhe sim o que vestir. Ai meu Deus, você é indecisa, tem pouca criatividade? Não faz mal. Você pode escolher seu “criador” preferido ou marca com a qual tem mais afinidade. A escolha é sua. E isso serve para tudo. A necessidade que as pessoas têm de que “outros” façam por ela uma escolha faz parte da história da Humanidade. É mais fácil nos sentirmos seguros quando alguém nos diz, com convicção e certeza, para onde e quando ir. Não sobra sombra nem dúvida. Afinal, fomos assim acostumados, desde pequenos, pelos nossos pais. O difícil é fazer esta virada: amadurecer e traçar o próprio caminho.
Vamos lá!
Sonia Racy.
Jornalista, colunista do Estadão.









Adriana Bueno disse: March 26th, 2009 at 1:08 pm
Concordo com você, Sonia. A pessoa tem que se sentir bem na “segunda pele” e se vestir de acordo com seu estilo próprio, acrescentando talvez alguns acessórios da tendência do momento. Mas você sabia que pode escolher a nuance do verde (como você citou) por exemplo, de acordo com os tons que favorecem e harmonizam com seu tom de pele, deixando-a mais jovem e iluminada? Como consultora de imagem formada, posso te garantir que é muito legal depois que você faz a análise de sua coloração pessoal, e que vale para toda vida! Parabéns pelo seu post, muito apropriado.
angelita cavalcanti disse: December 15th, 2009 at 9:38 pm
amei o texto, posto que, me identifico totalmente…..crio roupas partindo e defendendo tudo oque foi dito por vc ame-se respeite-se e valorize-se essa é a bandeira da minha marca de roupas. .bjs / angelita.